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26/08/2015

A janela do ônibus

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Eu voltei a estudar pedagogia na Universidade de São Paulo. Levo 1:30 para ir, mais 1:30 para voltar. Por sorte (quero dizer, muita sorte mesmo), eu consigo ir e voltar em ônibus vazios, e sentar no banco ao lado da janela.
Menos de segunda-feira, quando a aula acaba 22:30. Nessa hora, os ônibus estão lotados, mas logo depois o pessoal desce para pegar o metrô. Eu não. Eu continuo até a Avenida Paulista, para pegar o segundo ônibus.
O que eu mais gosto no meio dessas viagens é a possibilidade de sentar, encostar a cabeça na janela, colocar os fones, pôr a playlist em ordem aleatória e observar o mundo passar.
Quando esqueço meus fones na mesa do quarto, dá aquela mini depressão. Aquela, que todos sentimos algumas vezes quando nos decepcionamos.
"Puts, não acredito que esqueci os fones..."
Engraçado como esse momento, na janela do ônibus, é tão elucidador quanto quando tomamos banho, ou quando nos deitamos para dormir. Parece que todas as ideias aparecem, todas as reflexões, todos os pensamentos que ficaram calados ao longo do dia.
Eu adoro poder abraçar a minha mochila e ver as pessoas do lado de fora.
E imaginar de onde estão vindo e para onde elas estão indo.
Ninguém com quem eu precise conversar, nada que eu precise fazer. É quando eu realmente descanso.

16/09/2013

O Filho da Lua - Hijo de la Luna

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Brother Moon | Flickr - Photo Sharing!
Conta uma lenda que uma mulher, cigana, conjurou a Lua até o amanhecer. Chorando, ela pedia que, ao chegar o dia, casasse com um cigano.
"Você terá o seu homem de pele morena" - desde o céu, falou a Lua cheia - "Mas, em troca, eu quero o primeiro filho que tiver com ele. Porque aquela que sacrifica o seu filho para que não fique sozinha não parece amá-lo muito".
"Lua, você que ser mãe, mas não encontra um amor que lhe faça mulher. Diga-me, Lua de prata, o que pretende fazer com uma criança de pele?"

De um pai com a pele da cor de canela, um filho nasceu. Branco como a parte traseira de um arminho.
Tolo é aquele que não entende, com olhos cinzas em vez de verdes. Filho albino da Lua, maldita seja sua aparência.
"Esse não é um filho de um cigano, e isso eu não vou tolerar"! Pensando ter sido desonrado, o cigano foi até sua mulher com uma faca na mão.
"De quem é este filho? Você me enganou". E ele a feriu mortalmente. Então, foi até o bosque, com a criança nos braços, e a abandonou.

E nas noites em que a Lua está cheia, é porque a criança está feliz. E quando a criança chora, a Lua se faz minguante para fazer-lhe um berço.


Nunca mais vou ver a Lua da mesma forma agora! Essa história é de uma música de Mecano, mas a versão que mais gosto é a de Sarah Brightman. Minha amiga Bianca me apresentou e fiquei encantada!



Linda, né?
Obrigada pela visita!

04/07/2013

o homem dos jornais

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Era fim de tarde. Na verdade, umas dezesseis horas. O sol ainda estava claramente visivel até do andar mais baixo do prédio onde eu morava, mas o céu já estava ficando laranja. Por mais que ainda se levassem mais umas duas horas até o pôr-do-sol, esse momento maravilhoso havia se antecipado pra durar mais tempo naquela tarde.

Último ano da escola; não estava sendo fácil. Nada, nada fácil. Eu voltava pra casa, pelo caminho mais comprido. Paro, olho pros dois lados e atravesso a rua, na esquina. Só depois de alguns passos que eu reparo que aquela não era a esquina que devia ter virado. Bom, tudo bem. Eu queria passar pela árvore de amoras que tem na outra rua, mas tive que deixar para a próxima vez. Em troca, passei pelos hibiscos na frente de uma casinha amarela, e aproveitei pra pegar um. Ainda não era época de amoras de qualquer forma; mas já havia algumas vermelhinhas presas nos galhos e algumas no chão.
"Que estranho", pensei. "Não sei porque errei o caminho de casa". Continuei andando e, apesar do calor, e de eu estar de casaco cinza escuro, sentia uma leve brisa geladinha. Não é aquele ar quente, adorado nos dias frios que eu tanto amo e que os outros tanto odeiam. Esse ventinho bagunçava o meu cabelo mal preso, esfriava o meu rosto quente e passava o cheiro do entardecer. Esse cheiro é especial, sempre me lembra de quando era pequena e voltava pra casa no final da tarde, fazia lição de casa, tomava banho, jantava e via TV. Ah, e chorava que não queria ir dormir. Os dias de crianças deveriam ser contados em 30 horas, e não 24.
Não sentia esse cheiro na outra rua. Talvez esta nova rua fosse uma cheia de lembranças. Eu olhei para os lados e não tinham crianças ou casais, apenas uma senhora com um cachorrinho, um senhor com seu chapéu retrô e cabelos totalmente atingidos pelo branco da idade, quase cobertos completamente pelo chapéu.
Continuei andando. Não faltava muito pra chegar em casa. Na verdade, duas esquinas à frente já estaria em casa. Fechei os olhos pra sentir o cheiro do entardecer de novo.
Quando eu os abri, vi um senhor carregando uma bolsa cheia de jornais. Ele passava de porta em porta pra entregar o Jornal do Cambuci. A bolsa parecia bem pesada. O homem carregava-a pendurada num ombro, caído por causa do peso. Ele parecia triste. Ou pelo menos cansado de andar. Mas se olhasse bem pros olhos verdes dele, daria pra ver sua determinação.
"Precisa de ajuda?" perguntei. Ele me olhou com olhar de "por favor!", mas disse "não, muito obrigado", sorrindo. "Mesmo?", reforcei. Ele parou pra pensar um pouquinho e me perguntou se eu estava com horário marcado pra algum compromisso, e eu disse que não.
Então, ele topou a ajuda. Não sei, normalmente não falamos com estranhos, mas ele parecia tão sozinho... Peguei sua bolsa e caminhei ao seu lado. Eu fui pegando os jornais e o entregando, assim ele jogava nas casas. Perguntei por que ele estava fazendo algo tão "solitário", e ele me disse "pra passar o tempo, minha filha. Estou com alguns problemas e queria caminhar por aí. Larguei o meu emprego, prefiro fazer algo ao ar livre. Mesmo que isto não seja um emprego, é um trabalhinho, e posso sentir o vento do final de tarde. Dentro de um escritório não temos isso".
Eu olhei pra ele e olhei pro chão, sempre lhe entregando os jornais. Já tinha virado algo automático. Ele aparentava uns 60 anos. As ruguinhas não escondiam o tempo  e o número de experiências vividas por ele.
Não foi fácil arrancar um sorrisinho dele. Era um senhor simpático até, mas parecia perdido em algo terrível. Caminhamos, o trajeto até minha casa foi alterado, estávamos em uma paralela mil vezes mais movimentada. Os carros, com toda a poluição sonora, cortaram os sons do vento, e as fumaças cortaram o cheiro do entardecer e, junto com ele, minhas lembranças.
Homem dos jornais. Era assim que me lembraria dele. Esvaziamos, juntos, a bolsa de jornais por todo o bairro. Subimos e descemos ladeiras, presenciamos, sem perceber, o pôr-do-sol, compartilhamos segredos que só contamos àqueles que sabemos que nunca mais veremos. A brisa leve que antes cantava bem baixinho, agora grita e corta os nossos rostos. Ele me agradeceu, nos despedimos. Eu lhe entreguei a bolsa e fiquei com o último jornal, como uma lembrança do homem dos jornais e daquele fim de tarde poético. Não estava sozinha, assim como ele. Ambos estávamos com nossos pensamentos. Tanto sobre o passado como o presente. Virei na primeira esquina e fui pra casa. Dessa vez, era a esquina certa.

04/05/2013

lembranças que vêm do nada

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Pensar em como escrever esse post não foi uma tarefa fácil, afinal sobre esse assunto tenho apenas pensamentos soltos que parecem não terem ligações, a ponto de conseguir escrever um texto sobre ele. De qualquer forma, o post de hoje se trata de uma coisa que acho bem esquisita, mas ao mesmo tempo muito legal: eu me lembro de coisas, de quando eu era bem mais nova, apenas com um cheiro, ou uma imagem, ou até coisas sem o menor sentido.
Por exemplo, ontem de noite estava lendo uns slides de uma aula da faculdade, e o layout da apresentação era de um tom avermelhado, meio marrom, com partes brancas, e o fundo do programa de visualização (Adobe) era cinza escuro. No meio do texto, apareceu um "[...]", meio estilizado, de acordo com a fonte que a professora escolheu usar. Esse "[...]", junto com as cores e a luz do meu abajour, me trouxeram à mente lembranças de um dia que cheguei atrasada em casa e minha mãe estava quase indo à delegacia para dar queixa de sumiço. Se não me engano, eu tinha uns nove anos, e tinha saído da escola com uma amiga minha, até a casa dela, e depois voltado para a minha. Eu estudava de tarde, então voltei pra casa de noite.
Nesse dia, quando subi para o meu apartamento, tinha acabado a energia, então minha mãe tinha acendido algumas velas. O esquema de cores da apresentação de slides que vi ontem junto com a iluminação do meu quarto junto com o "[...]" me lembraram da iluminação do meu apartamento, à luz de velas. E de repente eu não estava mais lendo o texto, e sim lembrando de como o apartamento estava bonito com aquela disposição de cores amarela e laranja.
Outra lembrança que surge bastante é a de dia de aniversário, ou de quando eu ainda estudava de tarde, até os 10 anos de idade. Todos os dias que vejo o céu de cor laranja, no por do sol, me lembro automaticamente de quando minha mãe me buscava na escola. Eu voltava e ficava assistindo televisão, ou então ficava andando pelo apartamento falando comigo mesma, ou olhando minha mãe fazendo a janta, assistindo tv na cozinha.
Quando está um pouco antes do por do sol, mas o dia está quentinho e meio laranja, de céu limpo, e tudo parece estar fluindo bem, me lembro dos dias em que fazíamos aniversário naquele apartamento onde eu morava. Eu ia com minha mãe ao mercado e a gente comprava pão comprido, frios, patês, e depois ela arrumava tudo para comemorarmos o meu aniversário, ou o dela, ou o do meu irmão, junto com minha tia e meus primos que moravam no apartamento de baixo e com minha vó, que morava no da frente.
Não sei se esse post foi fácil de entender, mas tentei explicar o melhor possível esse negócio estranho que acontece. Claro, eu sei que não devo ser a única, mas até hoje ninguém me contou nada do tipo! Tem outras lembranças mais legais do que essas, digo, que são mais estranhas, com ligações mais sem sentido. Caso me lembre, escrevo aqui outro dia.

Esse post foi retirado do meu antigo blog

10/04/2013

o que você queria ser quando crescesse?

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Conheço muita gente que já quis ser médico, veterinário, princesa, cientista, lixeiro (para andar pendurado naquele caminhão), professor etc. Mas nenhuma dessas pessoas viraram o que queriam ser. Afinal, sonhos mudam, pessoas mudam e elas acabam descobrindo coisas novas, mundos novos e grandes possibilidades. 
A nova escritora do blog, Camilla, sugeriu a seguinte ideia (que eu amei): contar no blog o que queríamos ser quando éramos pequenos, o que fazemos agora e qual seria o nosso sonho. Nós escrevemos, vocês compartilham ideias por e-mail ou nos comentários e nós vamos postando aqui a história de cada um!
Eu vou começar contando sobre mim. image

Eu já quis ser tudo: bombeira, ilusionista (pois é, kill me), médica, dançarina, artista plástica, executiva, aeromoça, ufóloga - lembro que liguei para o garoto que, na época, era o meu namorado, toda eufórica, dizendo "já sei com o que quero trabalhar!". Isso foi logo depois de assistir uma série de programas relacionados a E.T.s no Discovery Channel -, bióloga, professora de biologia, professora de ensino infantil, escritora, geóloga, historiadora, enfim... a lista é interminável. Sempre fui assim, muito indecisa sobre tudo na minha vida. Mesmo quando preciso escolher entre duas coisinhas, como dois cartões de aniversário para comprar, fico três horas comparando os dois. O preço deles, o tamanho, o gosto de quem vai receber o cartão e mais trocentas coisas.
Mas de todos esses planos, o que eu mais queria que se tornasse realidade era o de ser aeromoça. 

Esse "sonho" não era de quando eu era criança, mas ainda assim eu acho válido contar!
Faz pouco tempo que parei de sentir arrepios ao passar em frente a um aeroporto. E é sério! Por vezes meus olhos lacrimejaram só de olhar o avião andando na pista, enquanto eu passava de carro por perto. Não sei se tem algo a ver com alguma lembrança, ou outra coisa. Só sei que até o ano passado eu me sentia assim, mas hoje eu não sinto mais nada.
Também não gosto de "culpar" os outros, somos nós quem construímos nosso futuro, e é por isso que eu digo que fui muito burra. Hoje eu encontrei algo que gosto muito de fazer, mas não queria ter mudado de sonho. Queria continuar querendo ser aeromoça. Quando eu namorava com quem agora eu nem vejo mais, ouvi inúmeras vezes que eu precisava parar de pensar nisso, que não conseguiria ter uma família, que não-sei-o-que-lá. Foi tanta desmotivação por parte desse alguém que acabei deixando para lá.
É incrível como as coisas são. Conheci um homem que, desde criança, quis ser astronauta. Quando cresceu, mandou cartas durante dez anos (só podia mandar uma por ano) para a Nasa, querendo ser astronauta. Foi tanta insistência que ele conseguiu, e hoje é super feliz! E olhem que sonho "esquisito" ele tinha, não é? Acho fantástico ser astronauta, mas ele deve ter ouvido muitas risadas quando dizia que queria sê-lo. E eu, com algo tão simples de se conseguir... deixei escapar por nada. 
É por isso que tanta gente me acha insensível algumas vezes. Eu nunca mais deixarei de fazer algo por causa de um namorado, de algum emprego, de qualquer coisa que não seja realmente importante - como filhos, por exemplo. Por que você tem que deixar de fazer algo que quer muito, que tem a chance de fazer, sendo que você não tem nenhuma garantia de que vai continuar com aquela pessoa depois? E que direito essa pessoa tem de te privar de algo? Nenhum. Nenhum mesmo.
É aquela velha história: se a pessoa te ama muito, te deixará livre.

Hoje eu estou construindo um novo sonho, que ainda não sei qual é, mas tem algo a ver com ser muito rica e trabalhar com comida, hahaha. Estou cercada de pessoas que me apoiariam no que eu decidisse para a minha vida, e é isso o que importa!
Quando deixei a USP para cursar uma faculdade particular, só ouvi elogios por parte dos meus amigos de lá. Vários disseram que queriam ser "corajosos" como eu, que queriam conseguir tomar decisões tão difíceis (acreditem, quando sua meta de adolescente é entrar na USP, mesmo sem ter estudado nada durante os três anos do ensino médio, consegue entrar e depois escolhe sair é algo realmente chato).

Esse post ficou um pouco diferente do que eu tinha planejado. Acho que, quando a Camilla escrever, vai ser mais fiel às nossas ideias. Como eu não quis ser nada em específico por muito tempo, não tenho nenhuma história de criança para contar. Nada como imprimir meu próprio cartão de visitas, usar o tempo todo um estetoscópio, etc. 
E vocês? O que queriam ser quando crescessem? Comentem nesse post e, se alguém quiser escrever sua história bem completinha, como a minha, é só mandar para giuliana_fonseca@hotmail.com, e postaremos aqui!
Estamos super curiosas image

23/01/2013

uma visita dos zumbis

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Eu não sabia direito o que estava acontecendo. De repente, estava no apartamento do tio do meu namorado, e ouvi dizer que sua filha havia matado o avô para salvar a avó. No fim, a avó morreu. Não me lembro se o avô tinha morrido mesmo, também. Eu sei que vi a menina segurando uma bonequinha e falando “eu tive que matar o vovô. Você está brava comigo?”. A forma como eu via as coisas, e olhava pras (poucas) pessoas no apartamento, fazia parecer que eu não existia. As pessoas reparavam e não reparavam em mim; é dificil explicar.
Me deu vontade de correr. Corri. Desci as escadas e fui até a rua. O que era dia virou noite e eu nem percebi. O problema mesmo não era nem o céu escuro, as nuvens… e sim a calma nas ruas. Ninguém buzinava, as mulheres motoristas davam passagem para os outros carros, faróis funcionando direitinho, tudo isso em São Paulo.
Inacreditável. Porém, tudo bem de novo, pois logo um carro bateu contra um poste. Quando os pedestres foram checar, com sua típica curiosidade, gritaram e sairam correndo com o que viram. Eu me aproximei. Dentro do carro haviam dois homens, e um, o do banco de “copiloto”, estava simplesmente devorando o motorista. Mordia seu braço, sua perna, jorrava sangue. Os bancos de couro branco da nova mercedes haviam se transformado em vermelho, praticamente. Aquele vermelho escuro. E o cheiro? Bom, cheiro de sangue, óbvio.
Corri mais uma vez. Era isso. O que eu vi não foi nada mais, nada menos do que um zumbi. Aqueles do Resident Evil, Dawn of the Dead (Madrugada dos Mortos). Eu sei que parecia impossivel, mas era real. Eu tinha uma gotinha de sangue no meu casaco.
Parei para olhar um prédio, e de um ângulo muito esquisito eu conseguia ver duas amigas minhas no último andar aberto, jantando. Uma delas, a loira, começou a olhar pros lados e pra baixo, parecendo desesperada. A outra, a morena, levantou, começou a se mexer, balançando os braços, e então caiu do prédio. Ela caiu na minha frente, pertinho de mim. Agora, não sei como isso aconteceu. É simplesmente contra a fisica eu estar a uma certa distância do prédio, a ponto de ver o ultimo andar, e uma pessoa desse andar cai não longe de mim, perto do prédio, e sim perto de mim, meio longe do prédio. Mas sei que ela estava com a perna toda mordida, sangue por todo o lado.
Enquanto o terror se espalhava pelas ruas, eu entrei num prédio, onde moravam meus primos. No apartamento deles não tinha ninguém, mas inexplicavelmente tinha uma coisa. A filha do tio do meu namorado, com o vestidinho rosa sujo de sangue, comendo alguma coisa. Ela parou e olhou pra mim com aqueles dentes sujos de sangue, que mais pareciam dentes de tubarão. Por mais que eu quisesse ficar alí, parada, sorrindo pra ela também, eu corri pro corredor dentro do apartamento, onde ficam os quartos, e fechei a porta. Óbvio que a garota veio atrás de mim, e ficou batendo na porta. Eu tranquei. Ela parou.
De onde eu estava, tinha acesso a três quartos, um banheiro e uma cozinha. Peguei meu celular e, graças a Deus, tinha sinal. Mandei uma mensagem pro meu namorado, dizendo onde eu estave e mandando ele ir também. Depois achei melhor ligar.
Disquei.
- Alô? – ele disse.
- Onde você está?
- Perto da avenida Paulista. Está tudo um caos aqui, e eu não sei porquê.
- Eu sei porquê. Venha pro endereço que te mandei na mensagem. E ah, cuidado na hora de entrar no apartamento, tem um bicho na sala.
- Tá certo.
Era só torcer pra que ele chegasse bem, ou simplesmente chegasse, ou não morresse na sala. Nem que virasse um zumbi. Enquanto esperava, repassei os filmes que vi e as imagens que olhei algumas vezes na internet sobre como sobreviver a um ataque de zumbis. Claro que eu nunca prestei muita atenção… mas o necessário e básico do básico, eu sabia: acerte na cabeça. O problema é que eu não tinha uma arma, nem sabia como usar. As unicas coisas que tinha eram 3 meses de curso de desenho, 3 de kick boxing, 3 de kung fu, 7 anos de karatê, 12 meses de natação e alguns de ginástica ritmica (valendo que eu era a pior aluna da sala).
Liguei o computador sem nem saber pra que. Mas deixei ele alí, ligado. Lembrei que tinha trancado a porta do corredor, e que meu namorado não conseguiria escapar da menina, desse jeito. Destranquei e abri uma frestinha da porta. Então, ele chegou, acompanhado, e eu disse pra eles correrem pra onde eu estava. Estava tudo tão escuro que ele acabou tropeçando na mesa da sala, e a zumbi começou a correr atrás.
Ele não conseguiu assimilar o que estava acontecendo e ficou apenas parado, então saí do corredor e puxei o braço dele. Quando consegui fechar a porta, a garotinha bateu, desesperadamente, tentando abri-la. Porém, logo parou.
Vi que o acompanhante dele era meu irmão, e perguntei o que eles estavam fazendo juntos. Disseram que se esbarraram na rua, os dois em pânico por causa da bagunça, e vieram pra cá.
Mais tarde, cada um num quarto, eu saí do meu e fui ver o que cada um estava fazendo. Meu namorado estava vendo televisão, pegou o celular e disse que estava sem sinal. Pegou o meu do chão e disse que eu havia recebido duas ligações de números estranhos, mas que não tocou. Apenas apareceu a mensagem de ligações perdidas. Olhei e o meu celular também estava sem sinal. Andei um pouco pelo apartamento e consegui algum. O primeiro número de telefone era uma palavra, como se estivesse salvo no cartão de memória, mas não estava. Liguei. Dava erro. Não sei dizer que tipo de erro, não me lembro muito bem.
O segundo número de telefone eram apenas quatro dígitos. Algo como 4502. O último digito eu não tenho muita certeza, podia ser 1 também. De qualquer forma, também não dava pra ligar.
Meu irmão estava no computador checando, não sei porquê, a previsão do tempo.
Me deu vontade de sair na rua, talvez achar outras pessoas. Por incível que pareça, não precisei insistir pra nós três sairmos. Eles logo concordaram, coisa que não se vê todos os dias (muito menos quando há um ataque de zumbi pela cidade – talvez pelo mundo).
Abrimos a porta com cuidado. Não vimos a menina. Corremos até a porta e saímos do apartamento.
Tava tudo muito escuro, era difícil enxergar qualquer coisa. Fomos até as escadas, um segurando a mão do outro, eu na frente iluminando com o celular, meu irmão do meio e meu namorado na ponta, também iluminando o caminho. Descemos cerca de cinco andares, e saímos pra rua. Após vermos aquele exército de zumbis, não preciso nem dizer que sair foi uma péssima ideia. Tentamos dar meia volta e voltar para o prédio, mas havia morto-vivo fechando a entrada. Nós três demos as mãos de novo e corremos para um outro prédio ao lado.
Até agora estava dando tudo certo.
Entramos, também tudo escuro. O estranho é que tinha energia.
De qualquer forma, fomos iluminando com o celular o caminho cheio de sangue. Havia marcas de mãos nas paredes, parecia que pessoas tinham sido arrastadas, com sangue, no chão. Era o cenário mais sinistro que eu já tinha visto. Ouvimos passos. Olhamos com medo um pro outro. Eu gritei, perguntando se tinha alguém pelas escadas. Nada. Perguntei de novo, disse que estávamos nos escondendo dos zumbis e que só queriamos um lugar pra ficar.
Uma senhora desceu as escadas e disse que a gente poderia ir com eles, o grupo dela, contanto que ninguém estivesse mordido. Afirmei que estávamos todos bem, sem machucados.
Nesse grupo havia um três homens e três mulheres, contando com a senhora. Subimos pra um apartamento que era de ninguém (pelo menos não havia ninguém). As luzes estavam acesas e, pelos móveis, podia ver alguns animaizinhos, como um furão, mas todos zumbis. Não eram ameaçadores, já que não tentaram nos atacar. Trancamos a porta. Não me lembro muito bem do que aconteceu, mas ficamos alí algum tempo, vendo o quanto de comida tinha, essas coisas.
Saí do quarto e vi a porta da sala aberta. Comecei a cochichar “será que algum zumbi entrou?”.
Olhamos uns pros outros, aflitos. Olhamos o apartamento. Nada. E a senhora não estava lá.
Fui até a porta e gritei pelo nome dela. Nada. Gritei mais uma vez. Vi uma luzinha pelas escadas, era ela, inteirinha. Sem mordidas, nada. Disse que ela não podia sair assim, muito menos sem fechar a porta. Então ela me chamou pra procurar outro apartamento, pois o que nós estávamos estava com cheiro de gente morta.
Subimos, nós duas, as escadas, e entramos num apartamento. Nele, morava uma outra senhora, igualzinha a minha avó. Ela estava na cozinha fazendo filé de frango, e não fazia a menor ideia do que se passava do lado de fora. Perguntei se ela estava bem. Disse que sim, e que eu podia ficar a vontade.
Ouvimos passos. Quando olhei pra porta, vi um homem de terno subindo as escadas com pressa.
- Menina! O que faz aqui? Tem zumbis por toda a parte!
- Não temos onde ir. A rua está lotada deles.
- Eu tenho um helicóptero me esperando lá em cima! Venham vocês comigo, há bastante espaço. Tem mais alguém?
- Tem mais sete pessoas, e não vamos sem elas!
- Tudo bem, podemos nos apertar. Anda, chame eles e me encontre lá em cima. Senhoras, venham comigo.
- Isso não é incrível? – perguntei pra senhora ao meu lado
- Demais! A gente se vê lá em cima.
Desci as escadas, parte do corredor estava aceso. As luzes apagaram.
Eu acordei.

22/12/2012

medo de espíritos

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Essa história é verdadeira!

Dia 31 de outubro, em 2009, era Dia das Bruxas (claro, como todo 31 de outubro). Nesse dia eu decidi passar a noite na casa de um amigo, junto com outros 5 amigos, e então começamos a falar de coisas assustadoras. Na verdade eu nem sei se eram mesmo assustadoras, mas eu sou a maior medrosa do mundo pra coisas de espíritos e blá blá blá, então estava tremeeeendooo!
Daí que um amigo começa a dizer que vê espíritos. Eu olhei bem pra ele e perguntei se era verdade, e ele disse que sim, que é sério. Ah, eu acreditei né, ele tava mesmo falando a verdade.
Então eu, como a maior burra e curiosa, perguntei:
- Tem algum espírito aqui??
Detalhe: a casa que a gente estava era super antiga, já ouvi relatos de quem mora lá de que tem uma ou outra alma penada zanzando pelo andar de cima. E que uma vez a madrasta desse amigo que mora lá estava na cozinha, e achou que ele tinha passado atrás dela, mas quando foi ver não tinha ninguém do outro lado - meu amigo ainda estava antes da cozinha!
E uma vez que eu juro por Deus que meio que vi ele subindo as escadas, mas daí ele chega do cômodo da frente, no andar térreo mesmo. Que isso! 
Tá, esse amigo que vê coisas sabia que eu era medrosa, e perguntou se eu queria mesmo saber. Aí sim que eu fiquei mais curiosa ainda! Disse que sim sim sim sim sim queria saber sim, mas na hora ele falou que não tinha nada não... MAS que, quando entrou na casa, viu um cara que parecia morar no corredor (?).
Passou um tempinho, a gente conversando, e ele pergunta:
- Você ainda quer saber se tem espíritos aqui?
- SIM!! - eu respondi
Então ele disse que sim, que tinha um vindo pra sala dos fundos, onde estávamos.  Eu comecei a tremer de verdade, e minha pressão caiu e senti mais medo do que em toda a minha curta vida! Ele disse que agora o espírito já estava na sala, meio que nos olhando, e daí eu comecei a chorar igual uma doida, sério, tenho vergonha até hoje - sorte que lá só estavam meus amigos mesmo (além da alma vagante), né.
Minha pressão costuma cair mesmo, é meio normal; e quando isso acontece, precisamos colocar sal embaixo da língua. O único problema é que, para chegar na cozinha, precisava sair da sala, ou seja, passar pelo espírito. O amigo que morava lá disse que ia de qualquer jeito pegar o sal pra mim, porque ele não acreditava muito nessas coisas. Quando ele disse que tava indo, o meu amigo que via o espírito lançou um olhar pra ele que MEUUU DEUSS, quase desmaiei de medo. Um olhar do tipo "não vai lá!".
Mas ele foi mesmo assim. E voltou são e salvo.
Meu amigo disse que o espírito viu como eu estava e decidiu dar uma saída da casa. Para eu não ficar mais com medo, sabem? Achei isso tão fofo! Depois eu fiquei bem, acho que mudamos de assunto pra algo mais light, e então já tava na hora de ir embora.
Quando eu passei pela porta da entrada, meu amigo deu uma risadinha e disse que o espírito tinha acabado de passar por mim, voltando pra casa.

Esse post foi retirado do meu antigo blog

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